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A Liga de Profilaxia e Ajuda Comunitária (LIPAC) anunciou ontem, em Famalicão, a criação de um Centro de Estudos para a Deficiência Social, uma unidade de investigação que agrega a Escola Profissional "Cior", a âmara de Vila Nova de Famalicão e a Universidade Fernando Pessoa. Segundo a proposta de estatutos, o objectivo da estrutura é ser um «fórum de reflexão, investigação e estudo, de âmbito multidisciplinar, onde se procurará dar respostas a alguns desafios que são feitos às ciências médicas e humanistas em todas as áreas e, com particular incidência na elaboração de metas tendentes a um maior enfoque na prevenção primária, secundária e terciária». O anúncio da criação daquela unidade de investigação teve lugar, no decorrer da sessão solene do Dia Contra a Deficiência Social, assinalado pela LIPAC. A cerimónia contou com a presença de dois vereadores da Câmara de Famalicão (José Santos e Leonel Rocha), entre outros representantes da autarquia, Ricardo Gonçalves, deputado à Assembleia da República, autarcas locais e muitas outras pessoas ligadas à LIPAC. O centro de estudos ficará sedeado em instalações da Cior, aliás, a escola profissional encontra-se já a trabalhar com a liga para implementar um projecto no âmbito da prevenção primária. De acordo com Silva Marques, director da LIPAC, a Cior servirá de «incubadora » ao projecto, que pretende trabalhar a prevenção com «duas ou três turmas », ainda no corrente ano lectivo, numa área que «está a descoberto». Para assegurar credibilidade ao trabalho feito, Silva Marques refere que o projecto conta com a colaboração da Universidade do Minho no estabelecimento dos critérios de avaliação e na sua realização. É que, «em Portugal, a prevenção primária é zero, porque não são definidos critérios de avaliação e de intervenção», sustentou o director da LIPAC, acrescentando que, nesta área, até agora, «cada um faz o que lhe apetece à sua maneira e não define objectivos ». Por isso, afirmou Silva Marques, «muitas vezes os resultados são nulos e até prejudiciais para quem quer fazer um trabalho sério ». «Toda a gente quer mexer mas, como não sabe, acaba por mexer mal e originar efeitos perversos», acrescentou o director.
Centro vai fazer estudos e assessorar estruturas públicas e privadas
Dentro dos objectivos traçados, no Centro de Estudos para a Deficiência Social serão realizados estudos de investigação científica dentro das ciências sócias, médicas, serão promovidos cursos na área da deficiência social, bem como criado um centro de documentação e análise de dados. Funcionar como centro assessor nos casos que lhe sejam submetidos quer ao nível das suas próprias estruturas, quer das estruturas públicas e privadas; promover contactos nacionais e internacionais entre académicos, investigadores e instituições com idênticos interesses científicos, com especial interesse na difusão de estudos europeus e lusófonos; fazer do centro um ponto de referência científica aos mais diversos níveis; organizar cursos de especialização na área da deficiência social através da realização de cursos intensivos para a comunidade, de pós-graduação, de mestrados e, futuramente, de doutoramento nesta área, são mais alguns dos objectivos a que se propõe a nova estrutura. Para além deste anúncio, a LIPAC inaugurou a Biblioteca Fernandes da Fonseca, dedicada à deficiência social, e entregou diplomas e outras distinções a mediadores e interventores comunitários que trabalham com a instituição há dezenas de anos. Recorde-se que o conceito "deficiência social" é pioneiro e foi criado pela LIPAC, resultando de cerca de 30 anos de trabalho no campo do combate à problemática das dependências do álcool e da droga. Trata-se de uma nova abordagem de encarar uma grande diversidade de problemas sociais como a criminalidade, a violência, inclusive a doméstica, entre outras.
Álvaro Magalhães
Fonte: Diário do Minho
2007-01-21 |